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Papiloscopistas de Cuiabá utilizam novas tecnologias para identificar pessoas sepultadas sem nome

 

 

Os Papiloscopistas do  Instituto Médico Legal (IML) de Cuiabá estão utilizando novas tecnologias para revisar casos antigos de pessoas que foram sepultadas sem identificação. O projeto, batizado de “Lembre de Mim”, representa um marco na história da perícia em Mato Grosso, trazendo alento a famílias que viveram anos de incertezas sobre o paradeiro de seus entes queridos.

O reencontro pela ciência

Entre os beneficiados está o senhor Mariano Leite Queiroz, que após mais de uma década de buscas recebeu a notícia da identificação do filho, desaparecido desde 2013. Na época, o jovem havia sofrido um acidente de trânsito, mas não havia sido reconhecido.

“Esse documento para mim é muito importante porque agora tenho certeza de onde ele está e o que aconteceu. O motorista que causou o acidente não prestou socorro, e meu filho morreu sem que soubéssemos”, relatou emocionado o pai.

Assim como ele, outras famílias começam a reencontrar histórias interrompidas, transformando estatísticas em nomes e memórias.

Tecnologia a serviço da dignidade

A iniciativa consiste em revisar mais de 400 laudos datiloscópicos de pessoas sepultadas sem identificação. Até agora, apenas em 2025, 37 casos já foram solucionados.

O sistema utilizado combina inteligência artificial, reconhecimento facial e cruzamento automatizado de impressões digitais com uma base de milhões de registros biométricos.

“O sistema gera um padrão chamado template biométrico, que é comparado em segundos contra toda a base de dados. Os candidatos indicados passam por conferência técnica e, até agora, 100% das confirmações foram precisas”, explica um dos especialistas da Politec.

Histórias que ganham desfecho

Os casos solucionados já ultrapassam as fronteiras do Estado. Entre os exemplos está o de dona Benedita, que descobriu o destino do irmão desaparecido há quatro anos. Ele vivia como andarilho e morreu atropelado entre Cuiabá e Várzea Grande.

“Agora sabemos o local do acidente e podemos sepultá-lo de forma digna, como parte da família. Estou em paz, fica só a saudade”, disse emocionada.

Reparação e cidadania

Para a Politec, o projeto “Lembre de Mim” é uma forma de reparação social.

“É o Estado de Mato Grosso resgatando a dignidade dessas famílias. Antes, eram apenas números em estatísticas; hoje, são histórias devolvidas aos seus lares”, destacou a direção do órgão.